Frase

"Pourquoi sommes-nous toujours fascinés par ces images du passé? Parce que nous sommes des espèces de dieux quand nous regardons en arrière. Dieu connaît tous les temps et Il connaît tous les avenirs. Nous ne connaissons qu'un avenir: c'est l'avenir du passé". Jean d'Ormesson.(clique aqui para ler a tradução)

(Frases antigas)

São Paulo, quinta-feira, 26 de maio de 2011

Em aula no curso de Letras da UFBA, críticos do "Quiti Inguinoranssa" são chamados de conservadores e ignorantes

Autor: Edson Carlos de Oliveira   |   14:38   4 comentários


Transcrevo abaixo um e-mail que recebi ontem de um aluno da UFBA que pretendeu mostrar o quanto as ideias deste blog são atrasadas do ponto de vista dicionarizado da academia. Tanto isso não me abalou que publico com destaque. Vejam o nível dos comentários feitos nas aulas em duas disciplinas avançadas na Universidade Federal da Bahia.

Este relato confirma o que este blog já escreveu: procurar falar e escrever corretamente já é visto como coisa de "conservador". Conservador, na mente deles, significa algo ou alguém contrário ao progresso. E progresso, pelo que eles me dão a entender, é o retorno da humanidade à era Cenozóica.

Os meus comentários estão em destaque. Ou melhor: os meus comentário está em destaque.

***

Aula 1 (Emitirei o nome da disciplina, pois pretendo discutir ideias e não pessoas)

Aluna comenta: "professor, eles estão num preconceito danado com o livro do MEC..."

Professor responde: "É, isso é a sociedade... por isso nós temos que fazer as disciplinas de Português I, II, III, IV... Mesmo a mídia, é uma ignorância enorme! Os jornalistas não sabem nada sobre português."

Aula 2

Professora diz: "O livro está incomodando... está sendo polêmico principalmente para os sentimentos conservadores em relação à língua. Sabe, as pessoas conservadoras... (risos dos estudantes)." A professora utilizou mais de 10 vezes o adjetivo "conservador".

Aluna diz: "O que mais me incomoda é que quem está discutindo são leigos. Há uma distância entre a academia e a sociedade. Eles não chamam os linguistas... só os gramáticos! Ai meus sais..."


[Comentário: mas, com esse método de ensino, a distância não ficará ainda maior? Além do mais, para não se sujeitar ao método "conservador tradicional" da gramática, a aluna deveria ter dito: "Eles não chama os linguista... só os gramático".]


Professora comenta novamente sobre um posicionamento conservador.

Outra aluna: "O pior é que uma das entrevistadas pela Globo era uma sociolinguista e parecia concordar com as críticas. Sociolinguista não pode ser conservador". Houve muitas ironias e deboches.


[Comentário: É fácil ironizar e debochar quando se está dentro de um ambiente onde vocês aplaudem uns aos outros (melhor: se aplaudem, isso mesmo, o verbo no reflexivo).]


Professora diz: "A mídia manipulou e só por isso o povo se preocupou e reagiu."


[Comentário: A mídia, a velha conspiracionista. Sempre ela.]



Aluna diz: "isso é só discurso retórico e tradicionalista. O pior é que há alunos aqui dentro que não assimilaram a formação da Academia; eu acho absurdo um estudante da academia não aceitar a variação..."


[Comentário: Ainda há salvação! Rezemos por esses alunos que ainda não "aceitaram a variação".]


Professora: "a pessoa só tem o ensino médio ou fundamental e quer se meter a falar sobre a língua; ela precisa fazer um curso inteiro de Língua Portuguesa, estudar direitinho para emitir alguma opinião sobre o assunto. Muitas pessoas se acham habilitadas para falar de língua sem estudar... Pior quando são do nosso curso e nossos próprios colegas que dão opiniões como esta, de acreditar que existe certo e errado... Vocês (alunos) não podem se calar quando falarem algum absurdo, pois senão seriam coniventes; não devem ter medo de se indispor com ninguém... devem falar, apontar mesmo."


[Comentário: Primeiro: é o meu caso, professora, só estudei até o ensino médio, e, apesar dele, hoje sei ler e escrever, não corretamente, confesso, mas procuro estar sempre estudando a gramática "tradicional" em sites de professores com "preconceito linguístico". Sabe - é melhor se sentar, professora, para não cair de costas -, lá eles usam os conceitos de "certo" e "errado" ao analisar uma frase. 

O que me preocupa, cara professora, é que, se a coisa continuar assim, vocês estarão ensinando a linguagem de MSN para nossas crianças, servindo-se de qualquer pretexto para contestar o "conservadorismo tradicional" da gramática.

Segundo: precisamos "estudar direitinho" para que mesmo? Para achar correto, ops, perdão, adequado falar "os meninu"?

Terceiro: Obedeçam à professora! Não tenham medo de se indispor contra ninguém, podem continuar a me escrever. Só vos lembro que neste espaço não há organizada nenhuma claque de apoio como vocês estão acostumados dentro das quatro paredes da universidade onde, com ironias e deboches, reduzem ao silêncio os alunos que ousam discordar das fantasias acadêmicas.

Quarto: ponto final!]

4 comentários:

Esse é o efeito de 8 anos de República Federativa Molusca do Brasil.

Lancem-se os olhos para a nossa história recente, para constatar-se que a função estatal tem sido objeto de intenso debate, adstrito, contudo, ao embate entre liberais e socialistas. Aos liberais, os socialistas apresentam o programa anticapitalista baseado no igualitarismo. “Aos socialistas a proposta liberal opõe a defesa da economia de mercado e das liberdades políticas no quadro do moderno Estado laico”(Olavo de Carvalho, “Por trás das palavras”, Diário do Comércio, 8/2/2010.). Trata-se de debate que, conquanto possa apresentar contornos de uma aberta contraposição de idéias (direita versus esquerda), oculta o fato grave de que ambos (liberais e socialistas) “nasceram no século XIX e se definem um ao outro como irmãos inimigos” (Olavo, idem); são como as pontas da língua bifurcada da serpente. Resulta dessa circunstância o problema de que “a todos os componentes do movimento revolucionário que escapem da definição formal de socialismo, que portanto não ataquem diretamente esses dois pilares da ideologia liberal, o liberalismo não pode oferecer nenhuma oposição eficaz” (Olavo, idem). Nada no discurso liberal oferece fundamento sólido para rejeição da temática socialista, toda ela pré-concebida para a destruição dos pilares da cultura e da religião ocidentais, sobre os quais o próprio liberalismo se assenta.

Inequivocamente, é o conservadorismo a mais forte linha de resistência contra todas as revoluções ideológicas, sejam elas de esquerda ou de direita, porque o pensamento conservador “funda-se na admissão de que a ordem divina não pode nem ser conhecida na sua totalidade nem muito menos realizada sobre a Terra. A eternidade jamais pode ser espremida dentro da ordem temporal, tal como o infinito não cabe dentro do finito. Por isso, em toda política genuinamente conservadora que se observa ao longo dos tempos, a ordem divina nunca é um princípio positivo a ser realizado, mas apenas um limite que não deve ser transposto, um critério negativo de controle e moderação das presunções humanas. O conservadorismo é, em essência, um freio às ambições prometéicas do movimento revolucionário e, mais genericamente, de todos os governantes. A modéstia e a prudência, a rejeição de toda mudança radical que não possa ser revertida em caso de necessidade, a recusa de elaborar grandes projetos de futuro que impliquem um controle do processo histórico, a concentração nos problemas mais imediatos e nas iniciativas de curto prazo, tais são os caracteres permanentes da política conservadora” (Olavo, idem).

Como seria se aplicasse essas opiniões num curso como o de medicina? Viva o Conservadorismo!

Chila, quais são as fontes que o professor Olavo de Carvalho utilizou para produzir este texto?
Não estará seu comentário (do Chila) fora de contexto?